quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Flora

De ter

Braços dignos e signos

Malignos

Por vez

Por vê-

-La me contento

Fomento esfaimado

Desejos escabrosos

Como adorar divinizar

Viver a amar

Seus braços

De granito

Escritos em egípcio

Seu oculto alquimismo

Sortilégio

De ter

A sorte desta mulher

Me sufocando ávida à minha volta

Como antigamente a flora

Circundava o mundo todo

E se chamava biosfera

E era uma fera impávida

Verde e extática

Marrom e mágica

E alimentava os homens

Antigamente, quando havia humanidade

E sugava a terra

Como se fosse uma mulher

Pois sugava sem matar

E matava de amor

E fazia tudo vida

Dava mesmo a vida à pedra

Dava mesmo vida à água

E ao ar

E dava fogo à terra

Assim como agia a maga

Age a muralha bondosa

Assim como chuva benigna

É a secreção aziaga

Porque fala de brinquedos

E objetos coloridos

Porque fala de dejetos

Jatos, jet set, intrigas

Incrível espionagem

E fogos fora da órbita

Dos meus olhos adoradores

Dos seus olhos aduladores

Mas pretensos, tensos, tentos

Escondidos em si mesmos

Como carvão de pedra

Como petróleo oculto

Como fóssil neolítico

Fora flor, agora é flora

Cresceu como uma sequoia

E fabricou sua gana

Na plena satisfação

De me deixar estirado

Parecendo estar deitado

Sobre meu estágio ambíguo

Sobre esta confusa cama

Dos covardes

Alucinados

Alunissados

Alienados

Hienados

Áridos

Ávidos

De ter

Braços dignos e signos

Benignos

Por vez

Por vê-

-La me contento

Fomento esfaimado

Desejos escabrosos

Como adorar divinizar

Viver a amar

Seus braços

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