De ter
Braços dignos e signos
Malignos
Por vez
Por vê-
-La me contento
Fomento esfaimado
Desejos escabrosos
Como adorar divinizar
Viver a amar
Seus braços
De granito
Escritos em egípcio
Seu oculto alquimismo
Sortilégio
De ter
A sorte desta mulher
Me sufocando ávida à minha volta
Como antigamente a flora
Circundava o mundo todo
E se chamava biosfera
E era uma fera impávida
Verde e extática
Marrom e mágica
E alimentava os homens
Antigamente, quando havia humanidade
E sugava a terra
Como se fosse uma mulher
Pois sugava sem matar
E matava de amor
E fazia tudo vida
Dava mesmo a vida à pedra
Dava mesmo vida à água
E ao ar
E dava fogo à terra
Assim como agia a maga
Age a muralha bondosa
Assim como chuva benigna
É a secreção aziaga
Porque fala de brinquedos
E objetos coloridos
Porque fala de dejetos
Jatos, jet set, intrigas
Incrível espionagem
E fogos fora da órbita
Dos meus olhos adoradores
Dos seus olhos aduladores
Mas pretensos, tensos, tentos
Escondidos em si mesmos
Como carvão de pedra
Como petróleo oculto
Como fóssil neolítico
Fora flor, agora é flora
Cresceu como uma sequoia
E fabricou sua gana
Na plena satisfação
De me deixar estirado
Parecendo estar deitado
Sobre meu estágio ambíguo
Sobre esta confusa cama
Dos covardes
Alucinados
Alunissados
Alienados
Hienados
Áridos
Ávidos
De ter
Braços dignos e signos
Benignos
Por vez
Por vê-
-La me contento
Fomento esfaimado
Desejos escabrosos
Como adorar divinizar
Viver a amar
Seus braços
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