quinta-feira, 3 de setembro de 2020

As novas revoluções das esferas celestes

Poeta por exemplo é o grande Zé Limeira
Homem do povo do nordeste do século retrasado
Que escreveu cordel
Nele
Cada verso que vem é um universo diferente
E você fica zonzo e tonto e tanto
E vai pirando
Planando subindo
E
Escalando
Os platôs e as montanhas
Da canção
Como dantes bem soube o outro poeta
Que é pura criação e invenção

Quando a gente lê o verso inicial
E já sabe qual será o próximo
E o outro e depois
E assim
Ad infinitum
Ad nauseam
Sem pausa
No tédio
Dum abismo infernal
Então esse suposto poema é o próprio inferno
O mesmo vale pra um texto
Ou uma aula

Quando cada nova frase ou novo verso
Estabelece uma nova consciência
Fazendo o xadrez de estrelas pró mental
Do qual falou o sermonista seiscentista
Portuga brasileiro genial

Então a poesia é o Paraíso
E como Goethe sabia e nos contou
O Paraíso é a própria terra em que vivemos
E amamos e lutamos e corremos
Quando ela é vital sutil legal

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